terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Vim de Luanda Meu pai é rei Eu sou princesa negra Minha palavra é lei



Princesa Negra - Oxum Pandá

Vim de Luanda, meu pai é Rei
Eu sou Princesa Negra
Minha palavra é lei

Traz tapete vermelho que eu quero passar sem pedir licença
Da mamãe Oxum, herdei altivez, sedução e beleza
Hoje a ordem do dia, eu vim com meu povo a dançar afoxé
bate bate tambor que é na palma da mão é na ponta do pé


Bate tambor, bate atabaque, repica agogô na imensidão
hoje o decreto diz, seja livre e feliz, minha palavra é lei (minha palavra é lei)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tempo de reinício

Todo bom final está carregado do novo, da esperança e do anseio por dias melhores. Todo começo é algo estranho, dá uma esfriada na barriga e um medinho bom.

O ano de 2010 está no final, praticamente nas últimas! E 2011 ainda sendo gerado, com muitos planos e vontades.

Todo desânimo que tenho no natal é revertido em alegria para comemorar o fim de um ano e o início do outro. A capacidade de transformação é uma das características que mais valorizo no ser humano. E quer melhor momento pra utilizá-la? A mudança de ano meio que dá uma sacodida geral. Olha, meu camarada! É o momento de recomeçar, de jogar fora aquelas velhas roupas que não usa há anos, de mudar as atitudes que te fazem mal, de valorizar quem de fato merece e um infinito de etc.

Para mim 2010 foi um ano de muitas conquistas, na verdade, foi um ano que me encorajei ainda mais para batalhar por tudo que acredito ser o melhor. Foi um ano que construi perspectivas, tracei um projeto de vida (Ah, Rosa, e o meu projeto de vida? lá lá lá).

Tenho projeto para minha vida profissional, para minha vida de fé, para educação da Malu, para minha vida no aspecto coração (preferi não usar aqui sentimental, achei piegas), para minha militância, para meus estudos...

Agora é batalhar e muito para executar lindamente e com muito amor cada um desses projetos.

Axé em 2011 pra tod@s nós! E um agradecimento especial para tod@s que partilharam 2010 comigo e de alguma forma colaboraram com a elaboração desses projetos.


Ah, escrevendo aqui me lembrei de uma música de Luiz Tatit (já postei canções dele aqui. Compartilho aqui um trecho:

Faminto, o povo indagava:
Quem fez isso com a gente?
Quem é esse demônio?
Que aparece nos sonhos
Com um estranho enigma
Qual é o rei que não morre
E nunca envelhece
E que é vitalício?
Quem é que propõe um enigma
Tão difícil! [...]

Por fim
Um menino lá
Que sempre caçoava do rei
Foi se aproximando
E falando com a voz muito digna:
Qual é o rei que não morre, meu rei?
Nos ajude a entender esse enigma
E o rei
Supertranqüilo
Pensou um pouquinho
E com muito carinho
Contou pro menino
Que um rei que não morre
E nunca envelhece
E que é vitalício
É só o reinício[...]

(O Rei - Luiz Tatit)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Definitivamente...

Eu não tenho muito ânimo pra esse período do ano. Acho tudo tão forçado. Árvores, enfeites, presentes, pernil, champagnhe, etc...
Isso sem falar no famoso amigo secreto, nos votos de feliz natal. Eu não gosto mesmo. Durante muitos anos meu sonho era passar em casa, sem ceia e sem reuniões familiares. Mas achava que isso seria muito antipático de minha parte. Logo eu ia e encarava a noite de natal.
Hoje dedico o mês de dezembro para pensar na festinha da Malu, que nasceu dia 17 de dezembro, uma semana antes da véspera de natal. E me esforço para não passar para minha nega o meu desânimo com essa data pois ela já fez sua cartinha pro papai noel e espera ansiosamente a chegada dessa noite que eu tento ignorar.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Paulo Cesár Pinheiro e a história de suas canções

Sempre tive uma enorme vontade de saber como foi a composição de certas músicas. Escutava e ficava imaginando o que havia levado a criação de músicas tão belas. Recentemente li uma entrevista de Paulo César Pinheiro e descobri que ele escreveu um livro contando exatamente isso, o momento e os motivos da criação de suas canções.
Enquanto não comprei não sosseguei e agora estou extasiada com a leitura. Que alegria saber como foi a criação de canções que eu tanto adoro e vivo cantando, como por exemplo O Canto das Três Raças e Portela na Avenida.

Salve Paulo César Pinheiro! Salve o samba! Salve a música popular brasileira!




"...E outra recordação que guardo foi de Cuba, quando estive lá em 1982, no Festival de Varadeiro. Acordei ás 3 da manhã com uma zoada na praia, próxima a janela do meu quarto de hotel. Era uma espécie de luau que faziam. E um som que eu conhecia bem me chamou atenção. Me vesti e fui na direção dele. Uma turma grande de latinos cantava, acompanhados por violão e rum. Me aproximei para ver se era verdade, se eu não estava sonhando. Os caras cantavam em espanhol o "Quaquaraquaquá". Sentei, sem me identificar e fiquei curtindo. Me peguei refletindo depois que estranha é a música. Feita é nossa. Caída na boca do mundo, não nos pertence mais. Ninguém ali sabia que o autor estava presente. E continuaram sem saber."
Paulo César Pinheiro em História das minhas canções p. 27

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um brinde aos 3.1

Eu adoro fazer aniversário e o fato de a cada ano envelhecer um pouco mais não tira o brilho deste dia. Sempre foi para mim um dia diferente, tipo dia de jogo do Brasil em copa do mundo. Eu acordo com uma felicidade anormal, uma ansiedade maior do que o comum, uma vontade de brindar a vida e receber parabéns até dos desconhecidos que cruzam meu caminho.

Esse ano foi um pouco atípico, devido a uma questão do universo feminino muito conhecida por todos, a bendita da TPM. ô, derrota! Tentei superar e ficar só com o que há de bom mas não teve jeito. Dia 17 de novembro eu estava insuportável, irritada, irritante, chorona, chata pra caralho mesmo! Ainda assim, tive o prazer de receber beijos e abraços de pessoas bem queridas por mim. Minha pretinha com seu sorriso, meu preto com seu carinho e voz doce. Mãe e pai abraçando, Jovinha com seu olhar de admiração, Gisa sorriso, abraço e muita empolgação, Tânia com sua simpatia e sempre iluminando a vida, Marlene e Fê, família escolhida e sempre juntas. Muito obrigada, gracias pela participação de vocês num dia tão importante e que me fizeram perceber que a melhor forma de enfrentar uma baita TPM é se sentir tão amada e querida!

Muitos outros não puderam vir de corpo mas tenho certeza que as vibrações e o pensamento eram de felicitações.

Esse ano também deixei de lado as grandes comemorações, não quis organizar nada, nem uma cerveja no boteco. Até pensei mas não quis. Isso não quer dizer que não houveram comemorações. Foram ótimas, aconteceram de forma espontânea e tive a confirmação que na simplicidade é que podemos encontrar grandes alegrias.

Juntos sempre! Esse é meu maior pedido! Na fé, na cerveja, no olhar, no querer bem, no abraço, na torcida, na vida vivida de verdade, sem mentirinhas!

Ah, como sempre faço vai o registro de algumas imagens dessa data tão linda em minha vida. Salve 17 de novembro!











sábado, 13 de novembro de 2010

As (in) verdades em torno do ENEM por Ana Paula Corti

As críticas ao ENEM predominaram na cobertura feita pelos veículos de comunicação nos últimos dias. De tão ácidas e raivosas, as reportagens chegaram, por vezes, a abandonar a razão sendo tomadas por verdadeiros ataques de fúria, deixando de cumprir o papel de informar os leitores, a partir de fontes de dados diversificadas e plurais, a respeito dos vários aspetos da questão. Não cabe aqui explorar os reais motivos que levaram a esta furiosa reação da grande imprensa ao ENEM, mas deixo a sugestão para que o leitor reflita sobre isso.
Neste espaço quero identificar e analisar duas “afirmações” que, de tão repetidas na cobertura jornalística, foram ganhando vida própria, tornando-se “verdades” inquestionáveis (a ocultação da parcialidade das opiniões e análises como se elas fossem a única análise possível é um recurso ideológico potente). Assim, criou-se uma espécie de naturalização do discurso sobre o ENEM, fundado em duas “supostas verdades”, que passo a comentar.
1ª (in)verdade: “Os estudantes já não confiam mais no ENEM”
O número de inscritos no ENEM de 2010 foi o maior de todos já registrados desde o ano de 1998, quando o exame foi criado: 4.611.441 candidatos. O mais interessante é perceber um novo ânimo e esperança nos alunos de escolas públicas, para disputarem uma vaga nas universidades públicas - um projeto que antes simplesmente estava ausente do horizonte destes jovens. Isso mostra que o ENEM tem potencial para democratizar o acesso à universidade pública no Brasil- uma mudança radical num país em que este espaço sempre foi reservado para as elites econômicas e intelectuais, que temiam, e ainda temem, a “invasão do povo” na universidade.
A “fabricação” da desconfiança e da incredulidade em relação ao ENEM é visível. Resta debater a quem interessa a desqualificação do exame. A mim, parece claro que tal desqualificação vai contra os interesses dos estudantes das classes sociais mais pobres do nosso país.
2ª (in)verdade: “Se a prova não for cancelada prejudicará todos os estudantes”
As opiniões e manifestações de estudantes não parecem corroborar com esta afirmação. A esmagadora maioria não parece ter sido prejudicada- uma vez que os erros foram localizados e afetaram cerca de 20 mil alunos. É inegável que esta parcela pode, legitimamente, estar insatisfeita e frustrada- o que é compreensível. Mas o que importa é garantir que eles possam refazer a prova em condições que permitam garantir a igualdade na disputa. E isso é possível através de um mecanismo metodológico previsto em várias avaliações de larga escala, inclusive no ENEM: a Teoria de Resposta ao Item (TRI). Esta metodologia permite a comparação dos resultados ao longo do tempo, e também possibilita aplicar nova prova com o mesmo grau de dificuldade da anterior.
A reaplicação da prova para todos, num período de provas vestibulares, e considerando o caráter isolado das falhas, pode causar prejuízos exponencialmente maiores. E, certamente, impossibilitaria que algumas Universidades Federais considerassem o ENEM como critério de acesso às vagas. Mas uma vez cabe perguntar, a quem isso interessa?
A amarras ideológicas que nos prendem à superficialidade dos fatos impedem uma análise mais consequente da situação. Espero que o debate jurídico que vamos assistir nos próximos dias nos ajude a tornar a discussão mais complexa, pois ela merece. Quem sabe assim vamos ter a oportunidade de discutir, ao fim e ao cabo, a questão de fundo que permanece oculta: quais os impactos do ENEM na redistribuição das oportunidades educacionais na universidade pública? Ou dito de forma mais direta: Queremos que os jovens pobres entrem nas nossas boas universidades?

* Mestre em Sociologia, atuou dez anos na Ação Educativa como pesquisadora e coordenadora de projetos. Atualmente é docente no Instituto Federal de Educação de SP-IFSP

domingo, 7 de novembro de 2010

Uma imagem que representa muito!


A foto é de Felipe Dana e foi tirada em 25 de outubro de 2010.

sábado, 6 de novembro de 2010

Intensidade é minha cara...

Nada de mais ou menos. Morno nem pensar! Comigo é ou não é! Se for pra ser vou com tudo! Primeira marcha é só pra dar partida.

Tudo comigo é assim, intenso. Trabalho, família, militância, amor!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

SERRA É FUJÃO! Zé de Abreu falando sobre a covardia de José Serra

Vida boa...

Ando longe demais desse espaço. As voltas da vida foram violentas nos últimos dias. Parece que vive em dias alguns anos. Mas foi bom! Sempre aprendemos algo.

Estou muito feliz, a vida está cada vez melhor. Muitos planos, muitas expectativas, muitooooo amor. Enfim, a ausência ocorreu por motivos chatos mas estou de volta com pique total.

Acreditando cada vez mais na vida, em meus amigos, amores e em mim!

E vamô que vamô...

domingo, 17 de outubro de 2010

SERRA É FUJÃO! Carta de Pedro Bial sobre Serra e Dilma

Carta de Pedro Bial sobre Serra e Dilma

O Hino Nacional diz em alto e bom tom (ou som, como preferir) que “um filho seu não foge à luta”.

Tanto Serra como Dilma eram militantes estudantis, em 1964, quando os militares, teimosos e arrogantes, resolveram dar o mais besta dos golpes militares da desgraçada história brasileira.

Com alguns tanques nas ruas, muitas lideranças, covardes, medrosas e incapazes de compreender o momento histórico brasileiro, “colocaram o rabinho entre as pernas” e foram para o Chile, França, Canadá, Holanda. Viveram o status de exilado político durante longos 16 anos, em plena mordomia, inclusive com polpudos salários. Foi nas belas praias do Chile, que José Serra conheceu a sua esposa, Mônica Allende Serra, chilena.
Outras lideranças não fugiram da luta e obedeceram ao que está escrito em nosso Hino Nacional. Verdadeiros heróis, que pagaram com suas próprias vidas, sofreram prisões e torturas infindáveis, realizaram lutas corajosas para que, hoje, possamos viver em democracia plena, votar livremente, ter liberdade de imprensa. Nesse grupo está Dilma Rousseff. Uma lutadora, fiel guerreira da solidariedade e da democracia. Foi presa e torturada. Não matou ninguém, ao contrário do que informa vários e-mails clandestinos que circulam Brasil afora.

Não sou partidário nem filiado a partido político. Mas sou eleitor. Somente por estes fatos, José Serra fujão, e Dilma Rousseff guerreira, já me bastam para definir o voto na eleição presidencial de 2010. Detesto fujões, detesto covardes!
Pedro Bial, jornalista.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

MOTIVO PARA VOTAR NA DILMA!

Em entevista a um programa de TV Ciro fala de forma bastante clara o que significa a vitória de José Serra.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Excelente matéria que surpreendentemente saiu no Estadão sobre os ataques à candidatura Dilma

DOIS PESOS

Maria Rita Kehl - O Estado de S.Paulo

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.


Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Quem disse que seria fácil?

Depois de um tempo ausente nas postagens dessa brincadeira de roda estou de volta. Motivos da ausência são os de sempre, muito trabalho e pouca inspiração para este espaço. E confesso que a "descoberta" do facebook também contribuiu muito para dar um tempo aqui.

Durante esses dias trabalhei muito e estava completamente envolvida nas eleições de ontem.

Eu adoro essa época, eleições para mim representa tanto. Direito de ouvir propostas, de apoiar pessoas sérias, de definir nossa vida nos próximos anos. E o dia de votar é para mim emocionante. Voto feliz da vida! E sempre com muita responsabilidade.

Sobre os resultados...

Confesso que fiquei bastante decepcionada com a definição do governo do estado, faltou tão pouco. PSDB aqui mais 4 anos. To frita... Não só eu!

Para presidente, estou confiante e disposta a militar ainda mais pela campanha da Dilma. Serra não! Jamais! Precisamos garantir a continuidade dos avanços e não retroceder ao que era o Brasil no governo FHC.

Espero a onda verde (que virou azul e prestou em belo serviço para os neoliberais) avermelhar.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ainda tenho na memória a última vez que escutei isso...

Se você quer ser minha namorada
Ai que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ter
Você tem que me fazer
Um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque

E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem de ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois

Minha namorada - Vinicius e Carlos Lyra


As voltas que o mundo dá, nosso histórico e nossas vontades nem sempre caminham pra o mesmo lugar.

Vida que segue!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Um homem Inteligente Falando das Mulheres

De Luiz Fernando Veríssimo

O desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está a fêmea da espécie humana.
Tenho apenas um exemplar em casa,que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém.
Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem as Mulheres!'
Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da feminilidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

1. Habitat

Mulher não pode ser mantida em cativeiro. Se for engaiolada, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que as prenda e as que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse de uma mulher, o que vai prendê-la a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente.
.
2. Alimentação correta

Ninguém vive de vento. Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro.
Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não a deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial.

3. Flores

Também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente.

4. Respeite a natureza

Você não suporta TPM? Case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia, discutir a relação... Se quiser viver com uma mulher, prepare-se para isso.

5. Não tolha a sua vaidade

É da mulher hidratar as mechas, pintar as unhas, passar batom, gastar o dia inteiro no salão de beleza, colecionar brincos, comprar muitos sapatos, ficar horas escolhendo roupas no shopping.
Entenda tudo isso e apoie.

6. Cérebro feminino não é um mito

Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente o aposentaram!). Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração.
Se você se cansou de colecionar bibelôs, tente se relacionar com uma mulher. Algumas vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja dessas, aprenda com elas e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com os homens, a inteligência não funciona como repelente para as mulheres.

Não faça sombra sobre ela.
Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.
E meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay.

Porque só tem mulher, quem pode!

domingo, 12 de setembro de 2010

Zezinho chorão...



Essa charge foi retirada do blog de PH Amorin http://www.conversaafiada.com.br/politica/2010/09/12/coimbra-serra-e-a-pior-derrota/

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Leminski disse...

Bem no Fundo

no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas

Sujeito Indireto

Quem dera eu achasse um jeito
de fazer tudo perfeito,
feito a coisa fosse o projeto
e tudo já nascesse satisfeito.
Quem dera eu visse o outro lado,
o lado de lá, lado meio,
onde o triângulo é quadrado
e o torto parece direito.
Quem dera um ângulo reto.
Já começo a ficar cheio
de não saber quando eu falto,
de ser, mim, indireto sujeito.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Nosso Amor - Noel Rosa

Nosso amor que eu não esqueço
E que teve o seu começo
Numa festa de são joão

Morre hoje sem foguete
Sem retrato, sem bilhete
Sem luar e sem violão

Perto de você me calo
Tudo penso e nada falo
Tenho medo de chorar

Nunca mais quero seu beijo
Mas meu último desejo
Você não pode negar

Se alguma pessoa amiga
Pedir que você lhe diga
Se você me quer ou não

Diga que você me adora
Que você lamenta e chora
A nossa separação

E às pessoas que eu detesto
Diga sempre que eu não presto
Que meu lar é um botequim

Que eu arruinei sua vida
E eu não mereço a comida
Que você pagou pra mim

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Um tanto longe...

Pois é, nos últimos dias eu não postei nada por aqui. E faz mais tempo ainda que não falo em primeira pessoa neste espaço. Falta de tempo? Falta de vontade? Falta do que falar? Talvez um pouco de cada item mas o principal mesmo foi a falta de vontade, tem momentos que preciso digerir a vida, os acontecimentos e só depois botar pra fora.

Estive envolvida num tal de pré projeto de pesquisa (rumo ao mestrado!) que me consumiu muito, não tenho muita habilidade pra botar algumas coisas no papel mas é importante não desistir. E taí uma característica minha: sou difícil de desistir, quanto mais dificuldade mais eu gosto. O que me custa muitas lágrimas, estresse, ansiedade mas também alguns bons ganhos. Enfim, ESTOU assim há tanto tempo que nesse caso acredito que SOU assim e não boto fé que possa mudar. Aí, detesto reconhcer que tem algumas coisas na vida que não podemos mudar.

Para escrever o projeto precisei mudar algumas coisas em minha rotina, deixar de lado pessoas, internet, passeios. Aff, deixar de lado algumas coisas pra conseguir tomar contato com outras.

Neste tempo fiz algumas leituras que me deixou ainda mais interessada em pensar sobre a escola, seu significado na vida dos estudantes, professores e para sociedade no geral. E uma interrogação martela minha cabeça: Por que é tão difícil transformar a lei em práticas? Não basta fazer a lei, precisamos construir formas para que ela seja praticada. Ainda estamos engatinhando na democratização das gestões escolares.

"Para modificar sua própria realidade cultural, a instituição educativa deverá apostar em novos valores. Em vez da padronização, propor a singularidade; em vez de dependência, contruir autonomia; em vez de isolamento e individualismo, o coletivo e a participação; em vez de privacidade do trabalho pedagógico, propor que seja público; em vez de autoritarismo, a gestão democrática; em vez de cristalizar o instituído, inová-lo; em vez de qualidade total, investir na qualidade para todos."
Ilma Passos Alencastro Veiga

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Sou assim...

"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia".

José Saramago.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"Meu amor é passarinheiro..."

Engraçado, essa música é do Zeca Pagodinho e eu já escutei muito mais do 157 vezes mas NUNCA havia prestado atenção na letra. Até que escutei no rádio numa voz feminina da MPB, ainda não sei quem é, arrisco dizer que é a Roberta de Sá! Ficou legal e me fez notar que é uma grande letra!

Eu preciso do seu amor
Paixão forte me domina
Agora que começou
Não sei mais como termina
Água da minha sede
Bebo na sua fonte
Sou peixe na sua rede
Por do sol no seu horizonte
Quando você sambou na roda
Quando você sambou na roda
Fiquei afim de te namorar
Fiquei afim de te namorar
O amor tem essa história
Se bate já quer entrar
Se entra não quer sair
Ninguém sabe explicar

O meu amor é passarinheiro
O meu amor é passarinheiro
Ele só quer passarinhar
Ele só quer passarinhar
Seu beijo é um alçapão
Seu abraço é uma gaiola
Que prende meu coração
Que nem moda de viola
Na gandaia (na gandaia)
Fruto do seu amor me pegou (na gandaia)
Sua renda me rodou (foi a gira)
Foi cangira que me enfeitiçou
Apaixonado
Preciso do seu amor

sábado, 14 de agosto de 2010

Não Sei Quantas Almas Tenho - Fernando Pessoa

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pensei que a gente era fantoche...

... e o papai do céu ia mexendo lá de cima.

Malu em uma conversa sobre coisas da vida!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Vai lá Vai lá Vai lá Vamos de coração...

É sempre uma delícia ir no estádio, me divirto com as falas e a paixão que temos pelo tricolor.
Ontem foi igual. Tentei chegar bem cedo mas atrasos e o trânsito da cidade não permitiram. O desespero pra ver o início do jogo era tanto que estacionei o carro mais de um km do Morumba. Tudo bem, foi melhor assim. Já que a Giovanni estava parada e os guardadores de carro fazendo a festa.

Descemos correndo, correndo muito mesmo! Faltavam 15 minutos para o início. Nessa momento tive certeza que preciso muito parar de andar só de carro, não basta comer direito e emagrecer, preciso de resistência física urgente. rs... Não aguentei, tivemos que diminuir a velocidade mas ainda apertando o passo.

Putz, o portão era o 15, ainda tinha uma boa subida. E pra nossa surpresa era o mais concorrido. De verdade, isso pra mim não foi novidade pois estou num momento Lei de Murphy e se algo tem mínima chance de dar errado está dando.

A PM deu seu show particular, dificultando e tumultuando a entrada dos apaixonados tricolores; entre uma reclamação e outra o grito ecoava Tri-co-lor!!!!

Entramos, foi fácil achar um bom lugar apesar do estádio estar bem lotado (pra falar a verdade menos do que eu esperava) e deu tempo de ver o ponta pé inicial. Logo passei os olhos por todo Morumbi, que coisa bonita!

Bom, ganhamos mas não levamos. Tinhamos condições de vencer. Mas futebol é isso. Aquele gol do Inter foi um balde de água fria numa noite já bem gelada. Acreditei até o fim e foi bom ver a vontade e disposição nos minutos finais. Não saiu o tão esperado gol apesar das chances de Fernandão e Hernanez.

Fica agora minha torcida e até rezas para o Ricardo Gomes sair fora. Não dá mais, ou melhor nunca deu! Num jogo daquela importância o único movimento do cara foi ficar de pé e de vez em quando levantar o braço.

Agora é centrar fogo no Brasileirão, e vamos de coração!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um pouco de Quintana pra acalmar...

E o Diabo se Diverte

A gente não se converte. A gente se reverte. E o Diabo se diverte.

Esporte

O único esporte que pratico é a luta livre com meu anjo da Guarda.

Confissão

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma
Pressinto que vou ter um terremoto!

Crenças

Seu Glinício porteiro acredita que rato, depois de velho, vira morcego.
- É uma crença que ele traz da sua infância.
Não o desiludas com teu vão saber,
Respeita-lhes os queridos enganos:
Nunca se deve tirar o brinquedo de uma criança
- Tenha ela oito ou oitenta anos!

domingo, 1 de agosto de 2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Matando saudades...

Quando minha nega nasceu eu fiz um fotoblog pra ela. Era uma forma do vovó Joelia acompanhar seu crescimento lá de Salvador;
Fiquei muito tempo sem postar nada e sem ao menos entrar. E ontem lembrei dele e fiquei passeando por lá. Nossa, que delícia. Que saudade boa...




O tempo...

passou e ela cresceu tanto...





www.malu_moleca.nafoto.net

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Volta às aulas!!!

Acabaram as férias, na verdade foram 15 dias de recesso. Aproveitei muito com uma nega bonita, foram vários passeios e mesmo em casa foi uma curtição. Aproveitei também com um amor que a cada dia vem sendo maior e tendo uma importância na minha vida.
Descansei! Trabalhei um pouco, bem pouco! Reencontrei meu Antonio querido e sua Jessiquinha, encontrei amigos! Enfim, me enchi de boas energias pra continuar o ano. Vários planos, pra escola, pros estudos, pra minha vida. Ui, que bom isso!
Resumindo, nesses dias fortaleci laços importantes (filha, família, amor, amigos, trabalho, estudos!) e estou pronta pra o que vier.

Ah, sem esquecer que esse semestre tem eleição. E a batalha vai ser dura e empolgante. Adoro!

"O mundo é bão, Sebastião... O mundo é seu Sebastião..."

domingo, 25 de julho de 2010

Dei um aperto de saudade no meu tamborim. Molhei o pano da cuíca com as minhas lágrimas...

...dei meu tempo de espera para a marcação, e cantei
a minha vida na avenida sem empolgação!!!

Vai manter a tradição
vai meu bloco tristeza e pé no chão
Vai manter a tradição
vai meu bloco tristeza e pé no chão

Fiz um estandarte com as minhas mágoas
usei como destaque a sua falsidade
do nosso desacerto fiz meu samba-enredo
no velho som da minha surda dividi meus versos

Vai manter a tradição,
Nas platinelas do pandeiro coloquei surdina
marquei o último ensaio em qualquer esquina
manchei o verde-esperança da nossa bandeira
marquei o dia do desfile para quarta-feira








quinta-feira, 22 de julho de 2010

"Amo tanto e de tanto amar acho que ela acredita!"

O amor me faz sentir saudade e ando tão cheia de saudade e sem condições pra matá-la!

Do que? De quem? Por quê?

Saudade de um tempo que já foi, saudade de quem eu era, de pessoas que admirava, de sonhos que eu tinha, de viagens que eu fazia, de conversas despreocupadas, das preocupações que hoje parecem ser tão pequenas, da ingenuidade, das promessas que fazia, de acreditar em pactos de amor, de fazer e acontecer...

Ai, pensar nisso me dá uma saudade doída mas também me traz recordações boas e forças pra novos projetos!

Taí, PROJETO DE VIDA, é algo que tem me martelado muito nos últimos dias. Gosto muito do que sou, do que faço e da minha história até aqui, mas vivo melhor quando tenho um objetivo. Minha motivação vem mais forte quando preciso alcançar algo. E quanto mais difícil mais gostoso quando se chega, quando se toca.

Só peço proteção e sabedoria aos meus orixás!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Amigo, hoje a minha inspiração se ligou em você!

Acredito que depois do amor maternal a amizade é o meu sentimento que eu mais admiro. Toda forma de amor é bonita e importante. Mas eu me encanto com a amizade, com meus amigos... Não saberia viver e nem teria tantas histórias não fosse a presença de pessoas que a mim estão ligadas na alma. Tantas histórias passam agora em minha cabeça, com risos, broncas, desesperos, lágrimas, silêncio, cumplicidade, olhares...

Fiz um pout-pourri de dizeres de grandes poetas, palavras que gosto bastante e que falam sobre a boniteza de se ter amigos!


“Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
(...) Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero o meu avesso.(...) Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.(...) Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto: e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo, loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."

Oscar Wilde

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PRECISA-SE DE UM AMIGO

Não precisa ser homem, basta ser humano, ter sentimentos.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem imprescindível, que seja de segunda mão.

Não é preciso que seja puro, ou todo impuro, mas não deve ser vulgar.

Pode já ter sido enganado ( todos os amigos são enganados).

Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.

Deve gostar de crianças e lastimar aquelas que não puderam nascer.

Deve amar o próximo e respeitar a dor que todos levam consigo.

Tem que gostar de poesia, dos pássaros, do por do sol e do canto dos ventos.

E seu principal objetivo de ser o de ser amigo.

Precisa-se de um amigo que faça a vida valer a pena, não porque a vida é bela, mas por já se ter um amigo.

Precisa-se de um amigo que nos bata no ombro, sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo.

Precisa-se de um amigo para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Carlos Drummond de Andrade

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BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis

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Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

Vinicius de Moraes

domingo, 18 de julho de 2010

Quando a imagem fala mais do que todas as palavras...


Um casal muito especial!!!


Que seria de mim, meu Deus, sem a fé em Antonios? rs...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Interrogações..

Todas possíveis...

Por que?

Como?

Quando?

Aonde?

Que horas?

Até quando?

Vai rolar?

Gosta?

Quer?

Agora?

Quem?

Quanto?

Demora?

Responde?

Sabia?

domingo, 4 de julho de 2010

Coragem...

"O correr da vida embrulha tudo.

A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,

sossega e depois desinquieta.

O que ela quer da gente é coragem."

Guimarães Rosa

quinta-feira, 1 de julho de 2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

Os meus olhos vibram ao te ver...



A felicidade estampada nos olhos!!!

sábado, 26 de junho de 2010

A carta mais bonita (e verdadeira) que já recebi...

04 de março de 2002 Marcelina "ainda"

Val!!!

Alô! Alô! amiga, como vai você? Senti saudades e resolvi lhe escrever...
Chega! Detesto plagiar os outros minha capacidade está anos luz à frente disto.
Val, você tem a maior responsabilidade para com a minha pessoa, sabe qual é?
Você me trouxe, me internou, portanto quando for a saída, quero que você cumpra com com o seu dever.
Aqui tem vantagens e desvantagens, as desvantagens não lhe interessa porem, as vantagens são que você se conhece mais, o lado interior manja? Pensa em tudo que poderia ter feito aí fora e não fez! Exemplo, você já abraçou sua mão hoje? Agradeceu a Deus pelo sol que banha seu rosto e pela lua (hoje está tão lindo, meu irmão) que embala seu sono? Profundo não é? Por está você não esperava, talvez não de minha parte, mas entenda, as oportunidades que você tem são únicas, por isso aproveite VIVA!!!, não estou lhe aconselhando, apenas te dando um toque a mais, que a vida é tão complexa que as pequenas coisas passam desapercebidas e só nos damos conta quando a perdemos. Você sabe viver!! Tem apenas um defeito, se cobrar demais. Já conversamos sobre isto, você entende não é? Outra hora conversamos mais, (vai que essa carta se estravie).
Tem algo muito simples que você está afim de fazer e fica adiando?
Tipo comprar um chinelo, tomar um sorvete? Faça!!
Sabe aqueles telefones que você nunca retorna? Avalie que é e retorne! Aquele amigo ou amiga que sempre te liga e você não retorna nunca, não ligue! Se até agora você não ligou é porque não é importante, que se dane!
Ei, Val! Aparece aqui! Quando puder, sei que você é uma mulher requisitada em vários eventos, seu tempo é curto, eu entendo! Mas se puder, eu agradeço.
Obrigado por me trazer, valeu mesm, outra coisa desencana de trampo. Em primeiro lugar não é seu barato, sua luta é política, invista nisso, vá em frente, se engaje nos movimentos, batalhe pelas minorias necessitadas, flagelados (Falô, Mulher Maravilha!!!). Enfim faz uma, é a sua cara. Ainda quero te ver discursando na asembleia, senado, sei lá. Aposte nessa e vá em frente, está é minha opinião mas você tem outra opção, vá dar aulas no ensino municipal para um bando de adolescentes, ganhar uma mixaria e ser alvo de sonhos eróticos de pré-adolescentes. A escolha é sua, na política você pode fazer mais e ganhar também.
Mande um Salve para o Tião, diz a ele que ainda este ano vamos para casa do Lucas, tomar um domecq e escutar o mesmo cd durante dias. Só que dessa vez estou pensando em mudar, eu escolho a bebida, vinho! Quero ver ele me acompanhar! E ele escolhe o cd. Já vi tudo!!! MPB vai comer solta, mas não faz mal depois da segunda garrafa sou todo bossa nova, quero ver é ele aguentar o tranco da ressaca de vinho no outro dia. Domecq até hoje não suporto sequer ver o rótulo. Mande um beijo para a Laurinda, sei que ela está me dando a maior força, mas aonde e quando será o famoso Feijão de Corda? Só um pouquinho para eu experimentar quando eu sair. Diga a ela que está tudo bem, estou sendo bem tratado, paz.

Marcos
*e o coração como vai?

"Seja bom para os outros para que eles sejam bons para você"
Se não forem a vida será!
Ser bom não é ser bobo!

Eu também te amo, a Gisa vai entender que o nosso sentimento é diferente, é pura amizade, mas rola um ciúmes.

Até hoje não entendo e não aceito! Divina luz pra você, meu amigo!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

E AOS 13 ANOS DE IDADE EU SENTIA TODO PESO DO MUNDO EM MINHAS COSTAS...

PERIFA TOTAL

Cenário: sala 18 de um escola pública estadual, zona leste de São Paulo.

Quem estava: duas garotas de 13 anos, uma professora de 30 e mais um monte de molecada.

Em meio a uma aula, atividade em dupla sobre dois documentos que relatava a Revolução Russa. Mas o que importou foi a conversa.

Diálogo 1

aluna "Bela": Não vejo a hora de chegar sábado!

aluna "Bonita": Por que?

professora "Cri": observando o papo.

Diálogo 2

Bela: Porque quero ir na quermese.

Bonita: Ah tá! Eu adoro ir na quermese

Cri: Pensou com seus botões, essas meninas não vão terminar essa atividade não? Se bem que eu também adoro quermese.

Diálogo 3

Bonita: Nossa, que saudade das quermeses, do J..., do P...,do M..., nunca mais! Ontem eu estava vendo umas fotos. Todo mundo junto! Era tão legal! Agora já era, o J... e o M morreu, o P... tá preso. Agora só foto mesmo!

Bela: É...

Cri: ainda pensando: Que MERDA! Com essa idade e já com tantas tristezas. Amizades perdidas pela droga, pelo roubo, pelo desprezo!

Logo depois a aula seguiu e todos foram muito bem na análise dos documentos históricos sobre a Revolução de 1917.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sexta-feira 25/06 DiaSemGlobo




Junte se a nós e participe do #DiaSemGlobo em apoio a Dunga.

O técnico da seleção brasileira abriu fogo contra a Rede Globo.Dunga deu na canela do comentarista Alex Escobar, da Globo. Poucas horas depois, um dos apresentadores do programa Fantástico, Tadeu Schmidt, da África leu um editorial da emissora detonando Dunga.

Tudo tem um porque, antes do ataque ao Dunga no Fantástico, o Jornal O Globo já havia descido a lenha na seleção e principalmente no seu treinador.

Qual a razão dessa súbita mudança de comportamento ?

Vamos aos fatos :

Segunda feira, véspera do jogo de estréia da seleção brasileira contra a Coréia do Norte, por volta de 11 horas da manhã, hora local na África do Sul.

Eis que de repente, aportam na entrada da concentração do Brasil, dona Fátima Bernardes, toda-poderosa Primeira Dama do jornalismo televisivo, acompanhada do repórter Tino Marcos e mais uma equipe completa de filmagem, iluminação etc.

Indagada pelo chefe de segurança do que se tratava, a esposa do poderoso William Bonner sentenciou :

“ Estamos aqui para fazer uma REPORTAGEM EXCLUSIVA para a TV Globo, com o treinador e alguns jogadores...”

Comunicado do fato, o técnico Dunga, PESSOALMENTE dirigiu-se ao portão e após ouvir da sra. Fátima o mesmo blá-blá-blá, foi incisivo, curto e grosso, como convém a uma pessoa da sua formação:
“ Me desculpe, minha senhora, mas aqui não tem essa de “REPORTAGEM EXCLUSIVA” para a rede Globo. Ou a gente fala pra todas as emissoras de TV ou não fala pra nenhuma...”

Brilhante !!! Pela vez primeira em mais de 40 anos, um brasileiro peitava publicamente a Vênus Platinada !!!

“ Mas... - prosseguiu dona Fátima - esse acordo foi feito ontem entre o Renato ( Maurício Prado, chefe de redação de esportes de O Globo ) e o Presidente Ricardo Teixeira. Tenho autorização para realizar a matéria”.

Dunga: - “ Não tem autorização nem meia autorização, aqui nesse espaço eu é que resolvo o que é melhor para a minha equipe. E com licença que eu tenho mais o que fazer. E pode mandar dizer pro Ricardo ( Teixeira ) que se ele quer insistir com isso, eu entrego o cargo agora mesmo!”

O treinador então virou as costas para a supra sumo do pedantismo e saiu sem ao menos se despedir.

Dunga pode até perder a classificação, a Copa , seu time pode até tomar uma goleada, qualquer fiasqueira na África, mas sua atitude passa à história como um exemplo de coragem e independência frente a uma das instituições privadas mais poderosas no País e que tem por hábito impor suas vontades, eis que é líder de audiência e por isso se acha acima do bem e do mal.

Em linguagem popular, o Dunga simplesmente mijou na Vênus Platinada ! Sugiro uma estátua para ele!!!

Após a poderosa Globo a mesma que levou o Collorido ao poder e depois o detonou por seus interesses, agora difama o Dunga, tá certo que o cara é meio Ogro, mas não teve o direito de se defender dos ataques em momento algum.

Falar mal do cara é liberdade de imprensa

Ouvir o cara não pode?

A reação do povo foi imediata.O editorial lido no programa "Fantástico", da Rede Globo, deu repercussão no mundo virtual. E pela primeira vez na história o Brasil inteiro apóia o técnico da Seleção. Só a Globo para conseguir isso...

Dentre os assuntos mais comentados no Twitter nesta segunda-feira (21), a frase "Cala boca, Tadeu Schmidt" era líder absoluta --superou até a antecessora "Cala Boca, Galvão", que liderou por dias seguidos os Trending Topics.

E não parou por ai. Em apoio ao técnico da seleção brasileira, os twiteiros lançaram o "DiaSemGlobo", que será nessa sexta-feira, quando o Brasil vai jogar com a seleção de Portugal, no encerramento da primeira fase da copa.

Todo mundo na Band, ou em outra emissora, não vamos sintonizar a Globo na sexta-feira, temos que começar a deixar de ser gado manso, mostrar que não somos trouxas manipuláveis



Bombarulho Produtora
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terça-feira, 22 de junho de 2010

Simples assim...

"Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo."
Walter Franco

domingo, 20 de junho de 2010

Ultimamente tem sido assim...

Em alguns momentos, a verdade é tão dura que preciso mentir para mim e descobrir aos poucos.
Carpinejar

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Cegueira

Mais triste com a morte de Saramago e acreditando mais ainda que a cegueira vai dominando o ser humano.

Inclusive a imbecil da jornalista da globo, uma que apresenta o jornal da tarde. Não deu a importância que esse fato merecia na hora de transmiti-lo aos telespectadores.

Educar para a paz - Saramago

Resulta muito mais fácil educar os povos para a guerra do que para a paz. Para educar no espírito bélico basta apelar aos mais baixos instintos. Educar para a paz implica ensinar a reconhecer o outro, a escutar os seus argumentos, a entender as suas limitações, a negociar com ele, a chegar a acordos. Essa dificuldade explica que os pacifistas nunca contem com a força suficiente para ganhar… as guerras.

“Israel vive às custas do Holocausto”, em Palestina existe!, Madrid, Foca, 2002 [Prólogo e edição de Javier Ortiz] [Entrevista de Javier Ortiz]



Intimidade - Saramago

No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.


Democracia capitalista

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Buscando...

Ser menos impulsiva
Ser mais controlada
Ser menos ansiosa
Ser mais calma
Ser menos intensa
Ser mais contida
Ser menos faladeira
Ser mais ouvinte
Ser menos outros
Ser mais eu
Ser menos nervosa
Ser mais equilibrada
Ser menos vermelha
Ser mais branco, preto
Ser menos Ai, que raiva!
Ser mais Foda-se
Ser menos Preciso entender isso!
Ser mais Preciso viver isso!

Equilíbrio...

Estou buscando!

domingo, 13 de junho de 2010

Sempre me pergunto...

Uma das primeiras coisas que aprendemos ao nascer é se comunicar, de início através do choro e logo aprendemos a falar. Gostaria então de saber por quê temos tanta dificuldade em nos fazer entender? Por que a comunicação é tão difícil? Acho que quanto mais crescemos mais complicado fica! Humpf...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Explicando melhor o que tentei dizer sobre o seu olhar...



O seu olhar - Arnaldo Antunes

O seu olhar lá fora
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu
O seu olhar
Seu olhar melhora
Melhora o meu...

Onde a brasa mora
E devora o brêu
Como a chuva molha
O que se escondeu
O seu olhar
Seu olhar melhora
Melhora o meu...

O seu olhar agora
O seu olhar nasceu
O seu olhar me olha
O seu olhar é seu
O seu olhar
Seu olhar melhora
Melhora o meu...

O seu olhar lá fora
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu
O seu olhar
Melhora
Melhora o meu...

Onde a brasa mora
E devora o breu
Como a chuva molha
O que se escondeu
O seu olhar
Melhora o meu...

O seu olhar agora
O seu olhar nasceu
O seu olhar me olha
O seu olhar é seu
O seu olhar
Melhora!
Melhora!...

Um bom toque

A Alegria na Tristeza - Martha Medeiros

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada

O seu olhar...

És lindo! Me faz bem enxergar o brilho, a luz e a malícia bonita dos seus olhos.

Me olha?

domingo, 6 de junho de 2010

Lindo!



Abrigo de vagabundos - Adoniran

Eu arranjei o meu dinheiro
Trabalhando o ano inteiro
Numa cerâmica
Fabricando potes
e lá no alto da Moóca
Eu comprei um lindo lote dez de frente e dez de fundos
Construí minha maloca
Me disseram que sem planta
Não se pode construir
Mas quem trabalha tudo pode conseguir

João Saracura que é fiscal da Prefeitura
Foi um grande amigo, arranjou tudo pra mim
Por onde andará Joca e Matogrosso
Aqueles dois amigos
Que não quis me acompanhar
Andarão jogados na avenida São João
Ou vendo o sol quadrado na detenção

Minha maloca, a mais linda que eu já vi
Hoje está legalizada ninguém pode demolir
Minha maloca a mais deste mundo
Ofereço aos vagabundos
Que não têm onde dormir



Banho de manjericão - Paulo Cesar Pinheiro e João Nogueira

Eu vou me banhar de manjericão
Vou sacudir a poeira do corpo batendo com a mão
E vou voltar lá pro meu congado
Pra pedir pro santo
Pra rezar quebranto
Cortar mau olhado

E eu vou bater na madeira três vezes com o dedo cruzado
Vou pendurar uma figa no aço do meu cordão
Em casa um galho de arruda que corta
Um copo dágua no canto da porta
Vela acesa, e uma pimenteira no portão

É com vovó Maria que tem simpatia pra corpo fechado
É com pai Benedito que benze os aflitos com um toque de mão
E pai Antônio cura desengano
E tem a reza de São Cipriano
E têm as ervas que abrem os caminhos pro cristão.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Casinha colorida - um encanto pra entrar!

A imaginação rola solta e com muitas histórias do Saci quando se juntam a Malu e o Billy. O desenho da casinha colorida foi feito por ela e o texto que permite a entrada na casinha por ele.




FADA MADRINHA

FADINHA DO POZINHO MÁGICO

ATENDA MEU PEDIDO

E ME LEVE PARA DENTRO DO MUNDO DA FANTASIA

PLIN PLIN PLIN PLAN PLON PLUM

PÓ DA FANTASIA, PÓ DA MAGIA

ME LEVE PARA BRINCADEIRA DIVERTIDA

DENTRO DA CASINHA COLORIDA

FADAS, RAINHAS, BESOUROS, SACIS

ESTRELAS, FLORES, ASAS E VENTO

VOU ENTRAR DEVAGARINHO COM A FORÇA DO PENSAMENTO

COM SUA AJUDA MADRINHA, FADINHA DO CORAÇÃO,

FECHAREI MEUS OLHINHOS DEITADA

E ACORDAREI NO MUNDO DA ILUSÃO

UM, DOIS, TRÊS...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Escola!

Não tem sido fácil tirar da cabeça alguns questionamentos sobre o sentido da escola nos dias de hoje. Falei rapidamente sobre isso em uma das últimas postagens e hoje foi um daqueles dias que a cabeça chegou doer de tanto pensar. Na verdade alguns acontecimentos me levaram a pensar ainda mais.


Vejo tantos falarem sobre a escola, sobre a educação no país, sobre currículo adequado, mudanças na lei. Mas pouco se fala sobre o significado da escola. O que queremos da escola?

Hoje o dia começou com uma grande confusão, polícia e tudo na porta da escola. Por que? Depois de mais de um mês de aviso e preparo foi cobrada a carteirinha escolar para entrar na escola. Resultado: alunos que não levaram a carteirinha quase derrubaram o portão de entrada da escola. Entre professores e inspetores havia, em sua maioria, falas desestimuladas. Tipo: Isso não resolve! Já estamos em junho, não vai adiantar nada cobrar carteirinhas na entrada! Essas falas são comuns quando se trata de qualquer mudança que busque melhorias.

Putz, será que essas pessoas ainda acreditam em alguma coisa? Será que não conseguem mais conjugar o verbo trasformar? Será que conseguem sonhar?

Sobre a violência dos alunos barrados no baile, ops, no shopping, ops! de novo, na escola. Lamentável, mas essas atitudes são reflexos da intolerância e ausência de valores que essa molecada tem. São vítimas que fazem vítimas!

Alguém para o mundo que eu quero descer? Só hoje! Amanhã eu volto! Ainda acredito num outro mundo! Isso que dá ser da geração fórum social mundial!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Florbela, para fechar um dia bom!

"E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar.
Mais a saudade andasse presa a mim!"

Florbela Espanca

É melhor ser alegre...

Defensa de la alegría - Benedetti

Defender la alegría como una trinchera
defenderla del escándalo y la rutina
de la miseria y los miserables
de las ausencias transitorias
y las definitivas

defender la alegría como un principio
defenderla del pasmo y las pesadillas
de los neutrales y de los neutrones
de las dulces infamias
y los graves diagnósticos

defender la alegría como una bandera
defenderla del rayo y la melancolía
de los ingenuos y de los canallas
de la retórica y los paros cardiacos
de las endemias y las academias

defender la alegría como un destino
defenderla del fuego y de los bomberos
de los suicidas y los homicidas
de las vacaciones y del agobio
de la obligación de estar alegres

defender la alegría como una certeza
defenderla del óxido y la roña
de la famosa pátina del tiempo
del relente y del oportunismo
de los proxenetas de la risa

defender la alegría como un derecho
defenderla de dios y del invierno
de las mayúsculas y de la muerte
de los apellidos y las lástimas
del azar
y también de la alegría.


Traduzindo:

Defender a alegria como uma trincheira
defendê-la do escândalo e da rotina
da pobreza e da miséria
das ausências temporárias
e definitiva

Defender a alegria como um princípio
defendê-la do temor e dos pesadelos
dos neutros e dos nêutrons
da infâmia doce
e dos diagnósticos graves

Defender a alegria como uma bandeira
defendê-la do raio e da melancolia
dos ingênuos e dos canalhas
da retórica e da parada cardíaca
de doenças endêmicas e das acadêmias

Defender a alegria como um destino
defendê-la do fogo e dos bombeiros
dos suicida e dos homicida
das férias e do oprimido
da obrigação de ser alegre

Defender a alegria como uma certeza
defendê-lo contra ferrugem e sarna
da famosa pátina do tempo
do orvalho e do oportunismo
dos proxenetas do riso

Defender a alegria como um direito
defendê-la de Deus e do inverno
da capitalização e da morte
dos apelidos e das lástimas de azar
e também da alegria.

* A tradução foi feita por mim. Algumas palavras vou buscar traduzir melhor.

Alô Alô marciano...

O dia hoje começou bonito, apesar de ser segunda-feira. Acordei feliz e cheia de planos para o dia, estou com alguns afazeres em atraso e será preciso correr. Quando abri a janela vi que o sol está esquentando o dia, tornando a chuvinha que caiu na madrugada ainda melhor. Começo o dia de hoje agradecendo por tudo ter dado certo...
Os últimos dias foram pesados, tive que dar um cuidado especial pra minha Maria, pois um vírus pegou minha preta em cheio. Mas nós já tratamos de derrotá-lo. Por isso estive ausente de muitas coisas.

_______________________________________________

Tenho refletido muito sobre meu trabalho. E uma coisa está encasquetando muito: Qual é o sentido da escola hoje? Não só pros alunos mas também para os professores. Quais valores são importantes hoje? Será que é careta falar em valores? Pra mim não! Tenho os meus e tento por vários momentos passar pra minha filha a importância de ter alguns valores e princípios.
Na escola eu também faço esse trabalho, nem sei se faz parte da minha função. Mas enfim, tem sido necessário.

_______________________________________________

No que estou pensando?

Em como é bom estar com você. Mesmo com todas interrogações que seguem as frases.

Vou de Robertão pra explicar melhor o que eu estava pensando:

Olha você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei prá mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer
Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Crônica de uma vitória anunciada.

O campeonato estava no auge, há tempos é o preferido da torcida. Ganhamos bem no primeiro jogo e fora de casa. Nosso rival centenário estava fora do páreo. ELA torcia com o mesmo entusiasmo de seu tempo de adolescência, onde não perdia um jogo comandado por Zetti, Raí, Cerezo e muitos outros.
O segundo jogo estava se aproximando e seria em casa. Morumbi era seu destino e, com toda certeza, estaria lotado. Sua meta era comprar os ingressos. O plural se explica porque, por sorte, a companhia que ELA mais desejava nos últimos meses também ficaria feliz em estar lá. Logo, seria o jogo perfeito.
O passado do verbo ser tem motivos! Nem tudo saiu como se esperava. Primeira chance de comprar os ingressos: Domingo de manhã! Não daria certo, faltava uma confirmação! A companhia superou a prioridade que sempre foi dada ao Morumbi. Coisas da vida...
Segunda chance e Segunda-feira! Tudo certo, seriam dois ingressos! O que dificultou ainda mais a vida DELA. A busca foi durante toda manhã; internet, lojas, telefonemas para amigos de estádio... E nada! Os ingressos esgotaram. Tudo bem! O melhor seria o Morumbi, mas um bar, um telão, uma cerveja gelada, o tricolor em campo e a companhia estavam garantidos. Ou não...
Terça-feira! Uma pausa pro trabalho. Não era a prioridade mas ELA não teve escolha.
Quarta-feira! Logo cedo o pensamento era só um, o jogo! E claro, a companhia! ELA trabalhou bastante mas a cabeça não permitiu pausa pro trabalho neste dia. O jogo, o bar, o telão, a companhia. Tudo certo! Era só esperar a noite chegar.
De repente, no fim da tarde um telefonema, um papo e a possibilidade de mudança de cenário aconteceu. "Que bar que nada, vamos é pro Morumbi!" Barriga gelou, pensamento positivo e tudo vai dar certo. Ver o jogo no Morumbi e ter por perto a tal companhia era tudo que ELA queria nesse momento.
A noite chegou, tudo pronto pra sair e mais uma mudança, ou melhor, a grande mudança! Não tem ingresso, não tem bar, não tem companhia. Mas o jogo vai rolar!
Rolou bonito! Sem bar e sem Morumbi o cenário foi a sala da sua casa, a cerveja estava gelada e a sua filha empolgadíssima. Foi perfeito! Duas são-paulinas vibraram com os gols de Hernanez e Dagoberto, só faltou o Fernandão botar a bola na rede. Bem mereceu!


Desenho feito pela minha pretinha Malu

terça-feira, 18 de maio de 2010

Vá cuidar de sua vida



Vá cuidar da sua vida
Diz o dito popular
Quem cuida da vida alheia
Da sua não pode cuidar

Crioulo cantando samba
Era coisa feia
Esse é negro é vagabundo
Joga ele na cadeia
Hoje o branco tá no samba
Quero ver como é que fica
Todo mundo bate palma
Quando ele toca cuíca

Vá cuidar...

Negro jogando pernada
Negro jogando rasteira
Todo mundo condenava
Uma simples brincadeira
E o negro deixou de tudo
Acreditou na besteira
Hoje só tem gente branca
Na escola de capoeira

Vá cuidar...

Negro falava de umbanda
Branco ficava cabreiro
Fica longe desse negro
Esse negro é feiticeiro
Hoje o preto vai à missa
E chega sempre primeiro
O branco vai pra macumba
Já é Babá de terreiro

Vá cuidar...

Geraldo Filme - grande!!!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Pitacos...

VIRADA CULTURAL - Mais uma vez estive na Virada. Com o olhar sempre atento, observei pessoas querendo se divertir, artistas aproveitando o espaço para se apresentar mesmo não fazendo parte da programação oficial. Em uma parada para ir no banheiro do MC Donalds vi um garoto se preparando com a ajuda de sua mãe. Ele iria imitar o Michael Jackson e estava bem vestido, a mãe uma pessoal bem humilde demonstrou que estava desempregada e via em seu guri a chance de ganhar uns trocados. E acho que deu certo pois minutos depois um número grande de pessoas faziam um circulo em frente ao garoto que fazia o seu show a la Jackson.
Buunas, o que me fez emocionar mesmo foi o show da Elza Soares e Sandália de Prata. Foi ótimo!

GREVE - A greve acabou e não houve conquistas das reivindicações, esse mês houve o desconto dos dias parados e a notícia de que o secretário Paulo Renato deu pra trás. Havia se comprometido em retirar as ausências de quem repor as aulas e não cumpriu.

AMOR - Ai, como é bom sentir e difícil entender.

SÃO PAULO - O tricolor vai comandar nessa quarta-feira. E se tudo der certo estarei no Morumba

PROVA - No domingo fiz uma prova pra professor coordenador, foi tranquilo! Mas na hora da prova fiquei pensando como a educação em São Paulo está uma farsa. Fala-se de teorias, planos, projetos e na escola isso não existe e não se cria condições pra que exista. É um faz-de-conta gigante!

MALU - aprendendo cada vez mais. Me encantando com suas palavras e sempre minha companheira!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Não é fácil mas também não é impossível!

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!

Cecília Meireles

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Olhar de felicidade!



Foi um excelente final de semana!

domingo, 9 de maio de 2010

Amor e seu tempo - Drummond

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde

Mãe da Malu e filha da Laurinda e Jovinha

É sempre muito bom comemorar esse dia. Tenho uma imensa alegria em ser mãe!





Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Paciência...

...pra iniciar o conselho de classe.

...pra não morrer de saudade.

...pra ouvir mais do que falar.

...pra aguentar o Ricardo Gomes no comando do tricolor.

...pra não mandar uns malas pro inferno.

...pra esperar as férias e não infartar antes.

...pra suportar a ausência de algumas pessoas.

...pra ensinar e aprender um pouco a cada dia.

E se puder dobrar a dose de paciência no dia de hoje, vou precisar!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O terceiro...

"...O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração"
Chico e Bethânia

Chávez no se vá...

Ontem o dia foi bem corrido, trabalhei pela manhã e a tarde fui ajudar mi hermano JR numa batalha importante, ver o jogo do Santos e tomar os 20 litros de chopp que o maluco comprou. Foi bem legal...
Bom, a noite ajeitei algumas coisas minhas e da Malu e fui deitar. Liguei a TV sem muita esperança de encontrar algo que prestasse (estou sem a menor paciênca pra TV) e pra minha surpresa encontrei uma excelente entrevista do presidente Hugo Chávez para o jornalista Kennedy Alencar no canal Rede TV. Peguei a entrevista no final mas valeu muito! Fiquei impressionada com as falas de Chávez, falou sobre a revolução a bolivariana, sobre o golpe que sofreu, sobre o imperialismo estadunidense, sobre Cuba, sobre Obama, sobre capitalismo, neoliberalismo, democracia e história. Os dois últimos assuntos em especial me fez vibrar.

Vale a pena conferir. Está disponível no site da rede TV http://www.redetv.com.br/jornalismo/enoticia/

Para minha menininha!



Nesse final de semana eu assiti o DVD do show Maricotinha da Bethania. É lindo! Ainda vou ver essa mulher cantar ao vivo! Enfim, o que mais me chamou a atenção foi uma música de Vinicius e Toquinho, Valsa para uma Menininha. Na hora emocionei e fiquei pensando nesses 5 anos de Malu. Tantas coisas mudaram em minha vida. Emoções, prioridades, preocupações, sorrisos, medos, febre na madrugada, broncas, desafios, desenhos, histórias pra dormir, respeito, crescimento. Um aprendizado enorme...
Aprendo cada dia a amá-la mais. E sua presença me faz melhor!



Menininha do meu coração
eu só quero você
a três palmos do chão

Menininha não cresca mais não
fique pequinininha
na minha canção

Senhorinha levada
batendo palminha
fingindo assustada do bicho-papão

Menininha que graça é você
uma coisinha assim
começando a viver

fique assim
meu amor
sem crescer

porque o mundo é ruim
é ruim e você vai sofrer de repente
uma desilusão porque a vida é somente teu bicho-papão

fique assim,
fique assim,
sempre assim

e se lembre de mim
pelas coisas
que eu dei

e tambem não se esqueca de mim
quando você souber enfim
de tudo o que eu amei...

sábado, 1 de maio de 2010

Entrevista de Chico Buarque: "Meu caro amigo, as coisas estão melhorando."

Excelente entrevista do grande Chico para a revista Brazuca. Eita, que esse homem consegue ser cada vez melhor!




Por Daniel Cariello e Thiago Araújo, da revista Brazuca | Foto: Jorge Bispo


“Se tiver bola, eu dou a entrevista”. Essa foi a única exigência do nosso companheiro de pelada, Chico Buarque, numa caminhada entre o metrô e o campo. Uma bola. E eu acabara de informar que o dono da redonda não viria à pelada de quarta-feira. Éramos dez amantes do futebol, órfãos.

Sem saber se esse era um gol de letra dele para fugir da solicitação de seus parceiros jornalistas, ou uma última esperança, em forma de pressão, de não perder a religiosa partida, eu, que não creio, olhei para o céu e pedi a Deus: uma pelota!

Nada de enigma, oferenda ou golpe de Estado. Ele estava ali, o cálice sagrado da cultura brasileira, que sucumbiu ao ver não uma, mas duas bolas chegarem à quadra pelas mãos de Mauro Cardoso, mais conhecido como Ganso. A partir daí, nada mais alterou o meu ânimo e o da minha dupla de ataque-entrevista, Daniel Cariello. Apesar de termos jogado no time adversário do ilustre entrevistado, tomado duas goleadas consecutivas de 10 x 6 e 10 x 1, tínhamos a certeza de que ele não iria trair dois dos principais craques do Paristheama, e sua palavra seria honrada.

Mas o desafio maior não era convencer o camisa 10 do time bordeaux-mostarda parisiense a ceder duas horas de sua tarde ensolarada de sábado. O que você perguntaria ao artista ícone da resistência à ditadura, parceiro de Tom Jobim, Vinicius de Morais e Caetano Veloso, escritor dos best sellers “Estorvo”, “Benjamin”, “Budapeste” e “Leite Derramado”, autor de “A banda”, “Essa moça tá diferente”, “O que será”, “Construção” e da canção de amor mais triste jamais escrita, “Pedaço de mim”?

Admirado e amado por todas as idades, estudado por universitários, defendido por Chicólatras, oráculo no Facebook, onipresente nas manifestações artísticas brasileiras – sua modéstia diria “isso é um exagero”, mas sabemos que não é –, sua reação imediata ao ser comparado a Deus foi “em primeiro lugar, não acredito em Deus. Em segundo, não acredito em mim. Essa é a única coisa que pode nos ligar. Então, pra começo de conversa, vamos tirar Deus da mesa e seguir em frente”.

Enfim, ainda não creio que entrevistamos Deus, quase sem falar de Deus. Mas foi com ele mesmo que aprendi uma lição, talvez um mandamento: acreditar em coisas inacreditáveis. (Thiago Araújo)





Você assume que não acredita em Deus, mas existem trechos nas suas músicas como “dias iguais, avareza de Deus” ou “eu, que não creio, peço a Deus”. No Brasil, é complicado não acreditar em Deus?


Eu não tenho crença. Eu fui criado na Igreja Católica, fui educado em colégio de padre. Eu simplesmente perdi a fé. Mas não faço disso uma bandeira. Eu sou ateu como o meu tipo sanguíneo é esse.

Hoje há uma volta de certos valores religiosos muito forte, acho que no mundo inteiro. O que é perigoso quando passa para posições integristas e dá lugar ao fanatismo. O Brasil talvez seja o pais mais católico do mundo, mas isso é um pouco de fachada. Conheço muitos católicos que vão à umbanda, fazem despacho. E fica essa coisa de Deus, que entra no vocabulário mais recente, que me incomoda um pouquinho. Essa coisa de “vai com Deus”, “fica com Deus”. Escuta, eu não posso ir com o diabo que me carregue? (Risos). Tem até um samba que fala algo como “é Deus pra lá, Deus pra cá – e canta – Deus já está de saco cheio” (risos).

Você já foi em umbanda, candomblé, algo do tipo?

Já, eu sou muito curioso. A mulher jogou umas pipocas na minha cabeça, sangue, disse que eu estava cheio de encosto. Eu fui porque me falaram “vai lá que vai ser bom”. Passei também por espíritas mais ortodoxos, do tipo que encarnava um médico que me receitou um remédio para o aparelho digestivo. Aí eu fui procurar o remédio e ele não existia mais. O remédio era do tempo do médico que ele encarnava (risos).

Já tive também um bruxo de confiança, que fez coisas incríveis. Aquela música do Caetano dizia isso muito bem, “quem é ateu, e viu milagres como eu, sabe que os deuses sem Deus não cessam de brotar.” Eu vi cirurgias com gilete suja, sem a menor assepsia, e a pessoa saía curada. Estava com o joelho ferrado e saía andando. Eu fui anestesista dessa cirurgia. A anestesia era a música. O próprio Tom Jobim tocava durante as cirurgias. Eu toquei para uma dançarina que estava com problema no joelho. Ela tinha uma estreia, mas o ortopedista disse “você rompeu o menisco”. Ela estreou na semana seguinte, e na primeira fila estavam o ortopedista e o bruxo (risos).

Uma vez, estava com um problema e fui ao médico. Ele me tocou e não viu nada. Aí eu disse “olha, meu bruxo, meu feiticeiro, quando ele apertava aqui, doía”. Ele começou a dizer “mas essa coisa de feitiçaria…” e atrás dele tinha um crucifixo com o Cristo. Daí eu perguntei “como você duvida da feitiçaria, mas acredita na ressurreição de Cristo?”. Eu acho isso uma incongruência. Gosto de acreditar um pouco nisso, um pouco naquilo, porque eu vejo coisas inacreditáveis. Eu não acredito em Deus, acredito que há coisas inacreditáveis.


De vez em quando você dá uma escapada do Brasil e vem a Paris. Isso te permite respirar?

Muito mais. Eu aqui não tenho preocupação nenhuma, tomo uma distância do Brasil que me faz bem. Fico menos envolvido com coisas pequenas que acabam tomando todo o meu tempo. Aqui, eu leio o Le Monde todos os dias, e fico sabendo de questões como o Cáucaso, os enclaves da antiga União Soviética, que no Brasil passam muito batidos. O Brasil, nesse sentido, é muito provinciano, eu acho que o noticiário é cada vez mais local.

Meu pai, que era um crítico literário e jornalista, foi morar em Berlim no começo dos anos trinta. Foi lá, onde teve uma visão de historiador, de fora do país, que ele começou a escrever Raízes do Brasil, que se tornou um clássico. A possibilidade de ter esse trânsito, de ir e voltar, eu acho boa. É como você mudar de óculos, um para ver de longe e outro para ver de perto.



Nesse seu vai e vem Brasil-França, o que você traria do Brasil para a França, e vice-versa?

Eu traria pra cá um pouquinho da bagunça, da desordem. Os nossos defeitos, que acabam sendo também nossas qualidades. O tratamento informal, que gera tanta sujeira, ao mesmo tempo é uma coisa bonita de se ver. Você tem uma camaradagem com um sujeito que você não conhece. Aqui existe uma distância, uma impessoalidade que me incomoda.

Para o Brasil, eu gostaria de levar também um pouco dessa impessoalidade. Da seriedade, principalmente para as pessoas que tratam da coisa pública. Não que não exista corrupção na França.

Outra coisa que eu levaria pra lá é o sentimento de solidariedade, que existe entre os brasileiros que moram fora. Isso eu conheci no tempo que eu morava fora, e vejo muito aqui através das pessoas com as quais convivo. Eles se juntam. Como se dizia, “o brasileiro só se junta na prisão”. Os brasileiros também se juntam no exílio, na diáspora.

Falando em exílio, tem uma história curiosa de Essa moça tá diferente, a sua música mais conhecida na França.

É. A coisa de trabalho (N.R.: na Itália, onde Chico estava em exílio político, em 1968) estava só piorando e o que me salvou foi uma gravadora, a Polygram, pois minha antiga se desinteressou. A Polygram me contratou e me deu um adiantamento. E consegui ficar na Itália um pouco melhor. Mas eu tinha que gravar o disco lá. Eu gravei tudo num gravador pequenininho. Um produtor pegou essas músicas e levou para o Brasil, onde o César Camargo Mariano escreveu os arranjos. Esses arranjos chegaram de volta na Itália e eu botei minha voz em cima, sem que falasse com o César Camargo. Falar por telefone era muito complicado e caro. Então foi feito assim o disco. É um disco complicado esse.


Você acabou de citar o Le Monde. Para nós, que trabalhamos com comunicação, sempre existiu uma crítica pesada contra os veículos de massa no Brasil. Você acha que existe um plano cruel para imbecilizar o brasileiro?

Não, não acredito em nenhuma teoria conspiratória e nem sou paranoico. Agora, aí é a questão do ovo e da galinha. Você não sabe exatamente. Os meios de comunicação vão dizer que a culpa é da população, que quer ver esses programas. Bom, a TV Globo está instalada no Brasil desde os anos 60. O fato de a Globo ser tão poderosa, isso sim eu acho nocivo. Não se trata de monopólio, não estou querendo que fechem a Globo. E a Globo levanta essa possibilidade comparando o governo Lula ao governo Chavez. Esse exagero.


Você acha que a mídia ataca o Lula injustamente?

Nem sempre é injusto, não há uma caça às bruxas. Mas há uma má vontade com o governo Lula que não existia no governo anterior.

E o que você acha da entrevista recente do Caetano Veloso, onde ele falou mal do Lula e depois acabou sendo desautorizado pela própria mãe?

Nossas mães são muito mais lulistas que nós mesmos. Mas não sou do PT, nunca fui ligado ao PT. Ligado de certa forma, sim, pois conheço o Lula mesmo antes de existir o PT, na época do movimento metalúrgico, das primeiras greves. Naquela época, nós tínhamos uma participação política muito mais firme e necessária do que hoje. Eu confesso, vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula. Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença.

O que você tem escutado?

Eu raramente paro para ouvir música. Já estou impregnado de tanta música que eu acho que não entra mais nada. Na verdade, quando estou doente eu ouço. Inclusive ouvi o disco do Terça Feira Trio, do Fernando do Cavaco, e gostei. Nunca tinha visto ou ouvido formação assim. Tem ao mesmo tempo muita delicadeza e senso de humor.

A música francesa te influenciou de alguma maneira?

Eu ouvi muito. Nos anos 50, quando comecei a ouvir muita música, as rádios tocavam de tudo. Muita música brasileira, americana, francesa, italiana, boleros latino americanos. Minha mãe tinha loucura por Edith Piaf e não sei dizer se Piaf me influenciou. Mas ouvi muito, como ouvi Aznavour.

O que me tocou muito foi Jacques Brel. Eu tinha uma tia que morou a vida inteira em Paris. Ela me mandou um disquinho azul, um compacto duplo com Ne me quitte pas, La valse à mille temps, quatro canções. E eu ouvia aquilo adoidado. Foi pouco antes da bossa nova, que me conquistou para a música e me fez tocar violão. As letras dele ficaram marcadas para mim.

Eu encontrei o Jacques Brel depois, no Brasil. Estava gravando Carolina e ele apareceu no estúdio, junto com meu editor. Eu fiquei meio besta, não acreditei que era ele. Aí eu fui falar pra ele essa história, que eu o conhecia desde aquele disco. Ele disse “é, faz muito tempo”. Isso deve ter sido 1955 ou 56, esse disquinho dele. Eu o encontrei em 67. Depois, muito mais tarde, eu assisti a L’homme de la mancha, e um dia ele estava no café em frente ao teatro. Eu o vi sentado, olhei pra ele, ele olhou pra mim, mas fiquei sem saber se ele tinha olhado estranhamente ou se me reconheceu. Fiquei sem graça, pois não o queria chatear. Ele estava ali sozinho, não queria aborrecer. Mas ele foi uma figuraça. Eu gostava muito das canções dele. Conhecia todas.

Falando de encontros geniais, você tem uma foto com o Bob Marley. Como foi essa história?

Foi futebol. Ele foi ao Brasil quando uma gravadora chamada Ariola se estabeleceu lá e contratou uma porção de artistas brasileiros, inclusive eu, e deram uma festa de fundação. O Bob Marley foi lá. Não me lembro se houve show, não me lembro de nada. Só lembro desse futebol. Eu já tinha um campinho e disseram “vamos fazer algo lá para a gravadora”. Bater uma bola, fazer um churrasco, o Bob Marley queria jogar. E jogamos, armamos um time de brasileiros e ele com os músicos. Corriam à beça.


Vocês fumaram um baseado juntos?

Não. Dessa vez eu não fumei.


E essa sua migração para escritor, isso é encarado como um momento da sua vida, já era um objetivo?

Isso não é atual. De vinte anos pra cá eu escrevi quatro romances e não deixei de fazer música. Tenho conseguido alternar os dois fazeres, sem que um interfira no outro.

Eu comecei a tentar escrever o meu primeiro livro porque vinha de um ano de seca. Eu não fazia música, tive a impressão que não iria mais fazer, então vamos tentar outra coisa. E foi bom, de alguma forma me alimentou. Eu terminei o livro e fiquei com vontade de voltar à musica. Fiquei com tesão, e o disco seguinte era todo uma declaração de amor à música. Começava com Paratodos, que é uma homenagem à minha genealogia musical. E tinha aquele samba (cantarola) “pensou, que eu não vinha mais, pensou”. Eu voltei pra música, era uma alegria. Agora que terminei de escrever um livro já faz um ano, minha vontade é de escrever música. Demora, é complicado. Porque você não sai de um e vai direto para outro. Você meio que esquece, tem um tempo de aprendizado e um tempo de desaprendizado, para a música não ficar contaminada pela literatura. Então eu reaprendo a tocar violão, praticamente. Eu fiquei um tempão sem tocar, mas isso é bom. Quando vem, vem fresco. É uma continuação do que estava fazendo antes. Isso é bom para as duas coisas. Para a literatura e para a música.

Tanto em Estorvo quanto em Leite derramado o leitor tem uma certa dificuldade em separar o real do imaginário. Você, como seus personagens, derrapa entre essas duas realidades?

Eu? O tempo todo, agora mesmo eu não sei se você esta aí ou se eu estou te imaginando (gargalhadas).

Completamente. Eu fico vivendo aquele personagem o tempo todo. Entrando no pensamento dele. Adquiro coisas dele. Você pode discordar, mas chega uma hora que tem que criar uma empatia ou uma simpatia. Você cria uma identificação. E alguma coisa no gene é roubado mesmo de mim, algumas situações, um certo desconforto, não saber bem se você é real, se você está vivendo ou sonhando aquilo. Por exemplo, agora que ganhamos de 10 a 1 (referência à pelada que jogamos três dias antes), eu saí da quadra e falei: “acho que eu sonhei. Não é possível que tenha acontecido” (risos).

Você é fanático por futebol?

Não sou fanático por nada. Mas eu tenho muito prazer em jogar futebol. Em assistir ao bom futebol, independentemente de ser o meu time. Quando é o meu time jogando bem, é melhor ainda, pois eu consigo torcer. Agora mesmo, no Brasil, tinha os jogos do Santos.

Mas eu vou menos aos estádios. Eu não me incomodo de andar na rua, mas quando você vai a alguns lugares, tem que estar com o cabelo penteado, tem que estar preparado para dar entrevistas. Aqui, eu estou dando a minha última (risos). Aqui, é exclusiva. Fiz pra Brazuca e mais ninguém. Eu quero ver o pessoal jogar bola. Então eu vejo na televisão. E quando não estou escrevendo, aí eu vejo bastante.


É verdade que um dia o Pelé ligou na sua casa, lamentando os escândalos políticos no Brasil, e disse “é, Chico, como diz aquela música sua: ‘se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão’”?


É verdade (risos). Eu falei “legal, Pelé, mas essa música não é minha”. O Pelé é uma grande figura. Nós gravamos um programa juntos. Brincamos muito. Conheci o Pelé quando eu fazia televisão em São Paulo, na TV Record, e me mudei para o Rio. Os artistas eram hospedados no Hotel Danúbio, em São Paulo. O mesmo onde o Santos se concentrava. Então, eu conheci o Pelé no hotel. E sempre que a gente se encontra é igual, porque eu só quero falar de futebol e ele só quer saber de música. Ele adora fazer música, adora cantar, adora compor. Por ele, o Pelé seria compositor.

E você, trocaria o seu passado de compositor por um de jogador?

Trocaria, mas por um bom jogador, que pudesse participar da Copa do Mundo. Um pacote completo. Um jogador mais ou menos, aí não.

Você ainda pretende pendurar as chuteiras aos 78 anos, como afirmou?

Não. Já prorroguei. Tava muito cedo. Agora, eu deixei em aberto. Podendo, vou até os 95 (risos).

O Niemeyer está com 102 anos e continua trabalhando. Aliás, não só trabalhando como ainda continua com uma grande fama de tarado (risos).

Ele me falou isso. Eu fui à festa dele de 90 anos e ele me disse: “o importante é trabalhar e ó (fez sinal com a mão, referente a transar)”. Aí eu falei “é mesmo?” e ele respondeu “é mesmo”.

Falando nisso, o Vinícius foi casado nove vezes. Você acha a paixão essencial para a criação?

Sem dúvida. Quando a gente começa – isso é um caso pessoal, não dá pra generalizar – faz música um pouco para arranjar mulher. E hoje em dia você inventa amor para fazer música. Se não tiver uma paixão, você inventa uma, para a partir daí ficar eufórico, ou sofrer. Aí o Vinícius disse muito bem, né? “É melhor ser alegre que ser triste… mas pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”.

Quando eu falo que você inventa amores, você também sofre por eles. “E a moça da farmácia? Ela foi embora! Elle est partie en vacances, monsieur!”. E você não vai vê-la nunca mais. Dá uma solidão. Eu estou fazendo uma caricatura, mas essas coisas acontecem. Você se encanta com uma pessoa que você viu na televisão, daí você cria uma história e você sofre. E fica feliz e escreve músicas.

Pra finalizar. Se você fosse escrever uma carta para o seu caro amigo hoje, o que você diria?

Volta, que as coisas estão melhorando!


MAIS

A entrevista foi publicada originalmente na revista Brazuca, uma publicação bilíngue sobre cultura brasileira que circula em Paris e Bruxelas. A partir de 3 de maio, a degravação completa estará disponível no site de Brazuca. Também lá, é possível baixar em pdf, desde já, a edição completa de março-abril (inclusive com as fotos de Chico…)

Daniel Cariello, editor de Brazuca e co-autor da entrevista, é colaborador regular da Biblioteca Diplô /Outras Palavras. Escreve a coluna Chéri à Paris, uma crônica semanal que vê a cidade com olhar brasileiro. Os textos publicados entre março de 2008 e março de 2009 podem ser acessados aqui. A reestreia, em que Daniel fala sobre a entrevista com Chico, aqui.

Thiago Araújo é diretor de Brazuca.