terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Desassossegada!



Os versos que vou escrever abaixo são de Fernando Pessoa. Desde a primeira vez que li me identifiquei muito com esses dizeres. Recomendo o Livro do Desassossego, é excelente pra sacodir geral e nos tirar do conforto que o sossego proporciona. rs... Não foi fácil encarar a leitura não mas me colocou pra pensar, refletir... E isso é sempre bom!

"E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre, fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância -irmãos siameses que não estão pegados."
(Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego Ed. Companhia das Letras - página 53)

Um comentário:

Pecador disse...

carai........
isso já aconteceu com o Gui!